Favor escrevem as suas reflexões às seguintes leituras (no Public Folder) aqui
1) Costigan, Introduction, Lusophone Literatures
2) Kandjimbo, Angolan Literature & Incipient Canon
3) Madureira, Nation, Identity, and Loss of Footing, Mia Couto
4) Secco, Postcolonial Poetry in CV, Angola, Mozambique
(Part 1 ...)
ResponderEliminarPostcolonial writers can function (or be analyzed) as social, political and cultural interpreters of their nation. The joint literatures of the former Portuguese colonies can offer a synthesis of multiple and diverse subjectivities (Secco) that are inserted in similar national histories. Since the respective independencies, lusophone authors have used their writing as sites of new memories, “through which they mean to re-think the day-to-day existence of their respective societies” (Secco). Like music, literature can contextualize and negotiate difference.
As pointed out by Costigan, “to use the designation ‘literaturas de expressão portuguesa’ is to indulge in ambiguity and contradiction.” In many cases, local languages and dialects in countries that have Portuguese as an official language do not have an orthographic convention and are based on oral tradition. “African literatures in Portuguese encompass those originally written in Portuguese according to the basic pattern of a European writing tradition”, states Kandjimbo. It seems impossible to reconcile such a reality with a western categorization as ‘literature’. Thus, there seems to be a predisposition towards a power imbalance of above-mentioned localities. In other words, does the use of Portuguese as a lingua franca in Portugal’s former colonies (except perhaps for Brazil?) not obscure more than it reveals?
Madureira’s article is interesting in that it sheds light on the different colonial identifications before the respective independences, in highlighting some positive characteristics of Portuguese colonialism. For local populations, the Portuguese mode of being in Africa was apparently also congruent with dictator Salazar’s definition in the 1950s-1960s: a kind of well intended colonialism “toward multiracialism, a vocation to establish contacts with other cultures entirely devoid of any notion of superiority or racial discrimination”. For sure, this appropriation of Lusotropicalism afforded the colonizer a “ready-made ideological justification as well as a pseudoscientific legitimation”. Paradoxically however, this same process also created bonds between the new nations; e.g. in Guinea-Bissau, the local liberation struggle provided “the Portuguese people the best proof of our solidarity” (A. Cabral). In overcoming colonialism, these new countries already realized that had something in common. In my view, today’s idea of lusofonia is already ascent in the colonial projection of Portugal as a "pluri-continental" yet "unified and indivisible", whereby Portugal was redefined as an "Afro-European" power and the colonies as integral and organic parts of the metropolis.” (Madureira).
(... and part 2)
ResponderEliminarIn the line of what one could call ‘situated postcolonialism’, some authors point to cultural and linguistic synthesis in lusophone literature. As Madureira, citing Dacosta, indicates, Mia Couto’s “creolized literary language, his “Portuguesifying laportuguesar] of Bantu words and Bantufying [banfizar] of Portuguese words ... harmonizes ... every contradictoriness, every miscegenation" as part of an effort to "forge a Mozambican identity [a moçambicanidade]". Miscegenation and “culturalaesthetic otherness”, that permit the literary construction of “symbolic and referential universes”, thus appears to be an essential characteristic for postcolonial lusophone nations. However, as pointed out by Kandjimbo, this is also problematic: “if languages of European origins are confronted by endogenous literary systems, the problematics of the canon, dealing with an exercise of selection and recollection, immediately raise the issue of cultural decolonisation and a recognition of cultural pluralism.”
Regardless of its pro and cons, initiatives such as Projecto de Programa de Literaturas de Língua Portuguesa are very promising toward the divulgation of the cultural diversity and plural historiographies of lusophone literatures. As pointed out by Kandjimbo, the Portuguese organizers of the project believe in the specificity of Brazilian and lusophone African literatures. In my opinion, teaching lusophone literature however can also conceal ideological justifications of the concept of lusofonia: “it represents a decision of accentuated politico-diplomatic reach in the strategy of maintaining and strengthening ties that unite Portugal with the other lusophone countries, this being an exemplary decision with respect to educative politics that in an optimistic hypothesis can unleash the attitude of reciprocity” (Ibid.)
Finally, Kanjimbo, seeing lusophone literature as an incipient “communitarian canon”, urges for a solid strategy in the dissemination of lusophone literatures in which CPLP should play a pivotal part. CPLP however must first tackle a number of issues before this can work properly: furnish material for cultural education, repair the national publishing industries, increase the reciprocal knowledge of the respective literatures, and stimulate international publishers (outside Portugal) to publish lusophone literatures. A base of complementarity and multilateralism might help to combat local nationalisms; the connections between various lusophone postcolonial literatures -as places of contestation and negotiation related to social, political and economic adversities- can help to overcome this pitfall. Lusofonia in this sense can be seen as a postcolonial cure.
Esta semana, a temática da nossa discussão gira à volta das literaturas pós-coloniais lusófonas. De acordo com o que têm constituído as nossas conversas e trocas de reflexões, já a própria designação "pós-colonial" e "lusófona" traz alguma problematização. Proponho-me comentar os artigos de acordo com a ordem acima indicada e, no final, elaborar um comentário mais generalizado.
ResponderEliminarNa sua introdução, Costigan refere a falta de expressão que a literatura Africana de expressão portuguesa assume, comparada às literaturas de outros países de colonização anglófona e francófona, no discurso referente às literaturas Africanas em geral. A este facto não deve ser alheia, certamente, a questão já múltiplas vezes debatida entre nós, do discurso sobre o colonialismo estar feito, sobretudo em inglês. E a própria implantação da língua portuguesa, internacionalmente falando-muito mais fraca do que o inglês ou o francês- deverá contribuír para esta situação, apesar do português ter sido a primeira língua europeia a provocar um impacto social, comercial e cultural no continente africano já no séc. xv.
Kandjimbo começa por chamar a atenção para a necessidade duma contextualização antropológica, histórica e sociológica de qualquer disciplina de literatura africana para um melhor entendimento das realidades retratadas (Pires Laranjeira), evidenciando também a resistência, por parte da comunidade académica portuguesa, no reconhecimento das Literaturas de Expressão Portuguesa, facto que, de acordo com Carlos Reis, estará ligado à sua comparação com o cânone literário português e europeu. O restante artigo versa sobre a construção dum cânone literário angolano, que, de acordo com o autor, deverá ser o "resultado duma concorrência leal de propostas que reflectem os três segmentos nos quais a literatura Angolana é analizada(...)- a "oratura"(textos orais e versões escritas de textos orais em línguas indígenas), textos escritos em línguas indígenas e textos escritos em Português.
ResponderEliminarMadureira propõe uma orientação alternativa para os estudos pós-coloniais Lusófonos ou Portugueses através da análise da novela de Mia Couto "O Outro Pé da Sereia". Criticando esses estudos no sentido da sua ligação a uma "retórica estadonovista de diferença colonial" e dando como exemplo o artigo já por nós debatido de Sousa Santos, Madureira parece encontrar na novela de Couto uma perspectiva nova de interpretação da situação pós-colonial, onde o papel do escritor deverá ser o de "criar as premissas para um pensamento que seja mais nosso, para que a avaliação do nosso espaço e tempo não seja mais imposta por outros. Trata-se de nos movermos no sentido de perguntarmos o que é para nós natural e inquestionável"(Couto)
ResponderEliminarA abordagem dos textos sobre o “Pós-colonial” nos faz refletir sobre o real sentido da palavra LUSOFONIA.
ResponderEliminarO discurso sobre o cânone literário Português e Europeu apresentados nos demais textos da semana, podem estar interligado às considerações de Kandjimbo sobre o ensino da Literatura Lusófona.
Kandjimbo afirma que: “um dos desafios para aimagem da CPLP, tem que ser o afastamento do fantasma da teoria Pós-colonial, muito em voga entre acadêmicos de países anglófonos como os Estados Unidos e Grã – Bretanha. Este imperativo é especialmente verdadeiro no que diz respeito as relações estabelecidas entre o espaço marcado pela história do colonialismo e seus legados”.
O Pós-colonial portanto, é um conceito derivado do ícone do mundo colonial europeu. O Pós-colonial carrega a marca do “colonial”.
Neste sentido me atrevo a Concordar com Kandjimbo para a necessidade de uma contextualização antropológica, histórica e sociológica no ensino. E, concordo também com a reflexão do colega Bart Vanspauwen no qual afirma em seu último parágrafo: “...Aspectos sociais, politicos e economicos (...) podem ajudar a superar esta armadilha. Lusofonia, neste sentido, pode ser vista como uma cura Pós-colonial”.
O artigo de Secco dá-nos uma perspectiva da produção literária poética em Angola, Moçambique e Cabo Verde e coloca o enfoque no carácter, diria eu, catártico que esta assume nestes países, tendo em consideração as realidades político-sociais que reflecte. A poesia torna-se, assim, um local de novas memórias através das quais se repensa o dia-a-dia das respectivas sociedades a que pertencem os poetas. O amor, os sonhos e a amizade são encarados como alternativas políticas para libertar o pensamento e os sentimentos de um paradigma fechado, próprio de um ethos revolucionário. Dá-sae uma viragem "para dentro", revolucionando o próprio uso da língua.
ResponderEliminarDa leitura de todos os textos, fica a impressão de que a literatura africana de expressão portuguesa procura, cada vez mais, uma autenticidade e uma verdade, longe de quaisquer teorias pós-coloniais "impostas por outros". E, tal como já discutimos várias vezes nas aulas, a consideração de qualquer produto da cultura expressiva de um povo, da música à literatura, no que diz respeito ao espaço lusófono ou, neste caso, aos países africanos de expressão portuguesa, deverá ter em consideração a especificidade do contexto social de onde provem.
ResponderEliminarPenso que o texto de Costigan faz uma excelente introdução do cenário da língua portuguesa no mundo actualmente. Esta introdução permite-nos situar sumariamente o universo de falantes da língua portuguesa bem como da sua relevância. Obviamente se pensarmos no mercado editorial da língua portuguesa ele é ainda muito incipiente comparativamente a língua inglesa e francesa e isso revela, em parte, a pouca relevância da língua portuguesa neste mercado. Contudo, devemos também ter em conta que o universo de falantes e “simpatizantes” da língua portuguesa tem aumentado, sobretudo se pensarmos na procura por cursos de língua portuguesa, em particular nos países de língua hispânica na península Ibérica e na América latina. Concorre para esse interesse a divulgação de filmes, a música e a própria literatura. Neste campo devemos situar dois fenómenos interessantes, o prémio Nobel da literatura de Saramago, claramente no campo da literatura mais elaborada, e o fenómeno literário mundial que alcançou Paulo Coelho situado na esfera oposta, ambos sem margem para dúvidas, a contribuir para divulgação da língua portuguesa.
ResponderEliminarNão resta dúvidas que a língua portuguesa teve historicamente um importante papel na cultura mundial tendo de algo forma encontrado se infiltrado em muitas outras línguas, embora também o fenómeno inverso também deva ser relevado.
Devemos ter em conta que a divulgação literária é sobretudo um mercado, que envolve uma produção, divulgação, circuitos de venda e consumo. É a partir deste circuito que se processa, em grande parte, a circulação da língua. Os textos de Kandjinbo e Secco, são bastante reveladores sobre este circuito ainda precário no contexto dos países africanos de língua portuguesa, talvez não no que toca a sua produção, mas sobretudo na circulação mais ampla no próprio mercado consumidor de falantes da língua. Exceptuando alguns fenómenos que os próprios autores citam, como Mia Couto, Águalusa, Pepetela, pouco mais se conhece fora dos circuitos académicos que estudam a produção literária dos países africanos de língua portuguesa. Talvez seja mera coincidência, o facto dos autores que citamos acima serem brancos e luso descendentes, talvez não.
Kandjinbo chama a atenção para um facto importante que prende-se com as debilidades do sistema de ensino angolano no que toca a literatura portuguesa e angolana. A perspicácia do autor leva-o a constatar a necessidade de construção de um campo literário angolano, como reforço de uma angolanidade, que justifica-se com o conjunto de situação históricas que o país vivenciou a seguir a sua independência. Lembra o autor ainda que o campo literário angolano é muito mais vasto que a língua portuguesa em si e envolve as línguas locais, de que pouco se fala, nas cátedras das universidades europeias consagradas a literaturas africanas e em particular a cultura oral.
Madureira faz no seu texto uma introdução interessante sobre as vivencias do quotidiano colonial dos locais. As passagens que o autor utiliza de Samora Machel e Amilcar Cabral ilustram bem a marcada posição anti-colonianista que ao seu ver ainda se reproduz na noção de lusofonia que hoje se empreende. Destacaria particularmente a passagem em que o autor debate o tema da descolonização e põe a questão de quem é de facto descolonizado neste processo. A questão ronda saber se a independência dos países africanos de língua portuguesa foi resultado da revulução de Abril ou se por outro lado esta foi o resultado da luta dos povos colonizados em conjunto com os movimentos sociais em Portugal.
Muito obrigado Bart, Isabel, Gyovana, e Ricardo pelas suas reflexões. Parece, então, que o Bart guarda ainda otimismo ao respeito da utilidade do conceito Lusofonia, né?
ResponderEliminarEstou contento que gostaram a Costigan (vou informá-la). Niguém reagiu à forte "attack" do Madureira ao Sousa Santos, e acho isto importante. Vamos debater na aula esta semana. Pois o Sousa Santos ofereceu um paradigma para um "situated colonialism," como o Bart observou, mas o Madureira não quer nada disso. Qual o problema que o Madureira tem com o paradigma do Sousa Santos?
Ricardo, algumas observações:
"Talvez seja mera coincidência, o facto dos autores que citamos acima serem brancos e luso descendentes, talvez não."
Com certeza não é!
"A questão ronda saber se a independência dos países africanos de língua portuguesa foi resultado da revulução de Abril ou se por outro lado esta foi o resultado da luta dos povos colonizados em conjunto com os movimentos sociais em Portugal."
Eu acho que é o último.
(Gyovana, favor tratar todas as leituras em conunto e com um bocado mais elaboração)