sábado, 4 de dezembro de 2010

Leituras para 10 de dezembro: Brasil e Lusofonia

DAVID BROOKSHAW, "Race Relations in Brazil from the Perspective of a Brazilian African and
an African Brazilian: José Eduardo Agualusa’s O Ano em que Zumbi Tomou o Rio and Francisco Maciel’s O Primeiro Dia do Ano da Peste."

ANANI DZIDZIENYO, "Triangular Mirrors and Moving Colonialisms."


TIAGO MONTEIRO, "Quanto vale o fado? Capital cultural, distinção social, legitimação simbólica:
proposta teórico-metodológica para a análise do consumo de música portuguesa no Brasil."

Para começar a discussão esta semana (no blog e na aula), ofereço algumas perguntas:
1. Podem ver que o artigo do Boaventura de Sousa Santos é uma marca nesta discussão toda. O que diz o Luís Madureira ao respeito semana passada? O Monteiro? Qual a sua avaliação da teoria dele agora, depois de ter lido algumas críticas? Será que o pós-colonialismo Luso é diferente? O artigo do Monteiro oferece evidência em favor da posição do Sousa Santos? E o analise do Brookshaw? Apoia o argumento do Sousa Santos, ou não?
2. O que quer dizer: “It is appropriate to distinguish between hybridity as a creative force … and the assimilationist model enshrined in Luso-Tropicalism and which served the purposes of Portuguese colonialism” (Brookshaw, 170).
3. Qual o argumento central do Monteiro?
4. Em que sentido a situação pós-colonial do Brasil e de Angola é parecida? Ou é completamente diferente?
5. Quais as suas reflexões sobre a importância de raça na discussão sobre Lusofonia? E de “Africa”? Qual a diferencia entre estes?

9 comentários:

  1. O texto de Monteiro nos sugere um debate interessante e de alguma forma, pelo menos em mim, criou uma expectativa que não se efectivou. Achei que o debate tanto teórico quanto empírico foi de baixa qualidade embora deva considerar que algumas questões postas pelo autor suscitam interesse e impõem uma reflexão.
    Compreendo que as questões que Monteiro quer debater deveriam começar por uma, ainda que breve, reconstituição histórica do cenário musical português anterior e posterior ao 25 de Abril, pois é só nesse quadro que se pode perceber como a produção musical portuguesa evoluiu dentro e fora do seu mercado.
    O título sugere um análise do fado, o que pareceu me uma boa estratégia de debate uma vez que a história desse género musical português, sobretudo na actualidade, seria relevante para dar a conhecer as nuances do ambiente musical em Portugal, contudo isso não foi feito, detendo-se o autor sobretudo na análise do Rock. Embora o autor numa passagem ou noutra revele algum conhecimento da música portuguesa, desconhece por exemplo, no âmbito do Rock, o percurso do grupo Xutos e Pontapés que teve início na década de setenta, ainda Portugal estava envolto num ar de reclusão cultural do período Salazarista. Poderíamos entretanto citar, no campo do Rock, outras bandas memoráveis como os GNR na década de oitenta e os Clã na década de noventa, todos a cantar em língua portuguesa. Do lado brasileiro, podemos citar músicos antológicos do Rock nacional como Raul Seixas pioneiro do Rock brasileiro, que incrivelmente não é citado pelo autor, mas também bandas como Ultraje Rigor, Titãs entre outros que fizeram “ a cabeça da rapaziada” nos anos oitenta e noventa.
    Convém esclarecer que a música Rock cantada em Português, seja no Brasil ou em Portugal, sempre alimentou o consumo dos mercados nacionais e nunca possuiu uma vocação internacional. Neste aspecto devo concordar com o autor ao afirmar que esse género musical teria poucas hipóteses de afirmar-se fora das fronteiras nacionais não sendo cantado em língua inglesa.
    A internacionalização da música brasileira deve muito a géneros musicais como a Bossa Nova cuja batida facilmente interagiu com o Jazz norte-americano. Figuras tão díspares como Carmen Miranda, Tom Jobim, Flora Purim e Airtom Moreira contribuíram para dar a conhecer a versatilidade melódica e capacidade de hibridez da música brasileira fora do Brasil.

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  2. Particularmente sou fã da literatura de José Eduardo Agualusa e se há algum escritor a quem verdadeiramente podemos atribuir a marca lusófona, ele seria certamente um deles, se não mesmo o seu mais notório representante. Como geógrafo de formação não poderia deixar de apreciar com deleite nos romances do autor o percurso que os personagens transnacionais fazem ao navegarem entre os vários países de língua portuguesa e nalgumas das suas cidades mais proeminentes como Luanda, Lisboa, Rio de Janeiro e Recife. Para além da farta informação geográfica que os livros contêm, podemos encontrar também detalhes históricos, personagens ilustres, passagens da história que misturam realidade e ficção. Como imigrante brasileiro residente em Portugal, nordestino por nascimento, e hoje por força da aquisição da nacionalidade também cidadão português, fruto de alguma forma de mestiçagem e hibridização, revejo-me nos personagens do romancista angolano. Há nestes personagens uma identidade difusa, localizada entretanto em algum espaço lusófono preciso, uma região, mas tão africana quanto brasileira ou lusa sendo ao mesmo tempo universal. Ao ler os seus livros é inevitável deixar de pensar que os seus personagens apresentam-se como andarilhos em busca de reconstruir uma identidade que lhes caiba, uma busca por vezes obsessiva e que até lhe poderíamos chamar de uma síndrome identitária pós-colonial. No livro Nação Crioula por exemplo a personagem principal Angolana e ex-escrava vagueia pelos vários países lusófonos, nomeadamente, Angola, Portugal e Brasil, enquanto escreve cartas que narram as suas vivencias nestes lugares e as missivas que recebeu dos seus correspondentes.
    A leitura que Brookshaw fez do livro intitulado O ano em que zumbi tomou o Rio revela, segundo o autor, alguns aspectos críticos que Agualusa possui em relação ao governo angolano pós-independentista que acusa como sendo ditatorial. Para além desse aspecto revela também alguma desilusão no que toca a falha por parte dos movimentos anticoloniais em empreender no período pós-independência um projecto multiétnico para toda nação angolana que inclui-se as diversas etnias mais também, os brancos e mestiços. É sintomático que na obra Estação das chuvas o romancista Angola comece por citar o discurso de Agostinho Neto proferido em 11 de Novembro de 1975 por ocasião da independência de Angola. No livro analisado por Brookshaw, Agualusa faz renascer o mítico personagem negro de Zumbi , líder do Quilombo dos Palmares. Vale lembrar que este personagem da história afro-brasileiro permeia o imaginário de muitas práticas culturais afro-descendentes no Brasil como a capoeira, onde o herói figura erroneamente como primeiro capoeirista a enfrentar as forças do regime escravocrata na antiga colónia. É interessante que zumbi, no romance do autor, se tenha contemporaneizado na favela carioca, lugar de negros, mulatos, favelados, traficantes, macumbeiros e tudo que a elite brasileira considera de mais espúrio. Brookshaw insinua que Agualusa de alguma forma reaviva o mito luso-tropicalista da miscigenação harmoniosa. Creio que no fundo e de alguma forma todos povos colonizados sofram de triste síndrome de encontrarem-se reféns do fantasma do seu colonizador, ainda que há um nível inconsciente, e por que não dizer no caso lusófono, reféns do imaginário do mundo que o português criou.

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  3. Muito obrigado Ricardo pelas suas reflexões. Você conhece bem a obra do Agualusa! Vou deixar o meu comentário sobre o Monteiro para a aula, mas espero reflexões dos outros integrantes da cadeira antes disso.
    E o Dzidzienyo?

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  4. O artigo de Tiago Monteiro questiona a legitimação simbólica nos processos de recepção da música portuguesa no Brasil. Mas podemos questionar também se há, recentemente, um processo semelhante no sentido inverso: os processos de recepção da música brasileira em Portugal.
    Tal como aponta Monteiro, um dos agentes dominantes nesse processo é a comunidade imigrada no país de recepção. No caso dos portugueses no Brasil, a imagem de Portugal – o contexto simbólico de Portugal – foi substancialmente folclorizado, em grande parte porque o folclore funcionou (e funciona ainda) como património identitário imaterial e que congrega à sua volta, por um lado, um certo sentido de Portugal mais imaginado que real (o folclore é sempre uma criação artificial da realidade musical) e, por outro lado, um Portugal rural, longe da produção musical urbana e contemporânea.
    Ora, se durante trinta décadas – sobretudo a partir do período imediatamente anterior e posterior à revolução de Abril (como também refere o Ricardo) – a “música brasileira” correspondia, em Portugal, à MPB urbana, intelectual e até politizada de Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil, com a chegada de um número muito relevante de imigrantes brasileiros na década de 90, procurando e ocupando, em larga maioria, um conjunto de trabalhos pouco qualificados, a “música brasileira” alterou radicalmente o seu quadro simbólico para os portugueses: para além de MPB, é também – e essencialmente – música sertaneja, forró e outras expressões musicais “populares” a que antes não acedíamos.
    Mas, tal como pode acontecer “um jovem brasileiro ser fã de uma banda de new rave portuguesa que canta em inglês chamada Bangguru” – banda de que faço parte como músico? Precisamente porque Bangguru não tem rótulo “made in Portugal”, porque está próxima, sim, de um conjunto de referentes simbólicos associados à música anglo-saxónica e à música de dança produzida no norte da Europa (amiúde nos julgam belgas, alemães ou holandeses!).
    Algumas questões parecem-me pendentes a partir deste artigo. Até que ponto a música portuguesa está de tal modo estigmatizada no Brasil que não consiga qualquer tipo de penetração no mercado? Até que ponto esse estigma (essa carga simbólica) compromete uma noção real e bilateral de lusofonia? Até que ponto o processo de recriação simbólica da recepção da música brasileira em Portugal pode alterar essa mesma noção de lusofonia?

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  5. Here go my answers to prof. Moehn’s questions:

    (PART 1 ...)

    1) Regarding the key role of Boaventura de Sousa Santos in the discussion on Portuguese postcolonialism and lusofonia, Madureira refers to de Sousa Santos’s idea of Portugal as a subaltern colonizer, with a postcolonial identity that can be charactarized as ‘doubly double’ and as ‘an identitarian indeterminacy’. Supporting Santos’ key argument, Madureira states that “alteritycomes to reside on both sides of the margin.”
    Monteiro cites de Sousa Santos in commenting in Portugal’s isolated geographical position, calling it “uma sociedade de fronteira semiperiférica”. He posits that ‘discursos essencialistas-estereotipizantes’ can be analyzed as “esferas de mediação que “contaminam” nossa percepção dos bens culturais”. Monteiro’s article evidences Sousa Santos’ position in showing that, despite global relations with other countries, the affective links between Brazil and Portugal are undeniable: “os afetos que vêm constituindo esta relação ao longo dos últimos cinco séculos.” However, despite these bonds, Brazil conceptualizes “a cultura lusa” as something that “parece ter se mantido fossilizada.”
    Brookshaw also echoes Sousa Santos in wanting to defy fixed notions of identity. He distinguishes between “the assimilationist model enshrined in Luso-Tropicalism and which served the purposes of Portuguese colonialism”, on the one hand, and hybridity as a creative, deconstructive force. Citing Leela Gandhi, he points at the convergence occurring nowadays between post-colonialism and postnationalism, the “widespread disillusionment with national cultures” and the role that cultural and political affinities can play in a globilized world.
    My personal reading of de Sousa Santos is the following. I agree with him on the concept of inter-identities as original identity in defending a “situated postcolonialism”, that is in many ways an oppositional postcolonialism, “a set of practices and discourses that deconstruct the colonial narrative as written by the colonizer, and try to replace it by narratives written by the colonized.” Instead of defending Portuguese postcolonialism as a sort of negative exotism, however, I prefer to see the future possibilities of ideas such as lusofonia.


    2) In my opinion, this citation points to the potentialities of transnationalism and multiculturality as contemporary antidotes against dominanation and essentialism, instead allowing discursive allegiances towards a historically-grounded pan-identity on the global level. An effective treatment against postcolonial biases or pessimisms can be to associate groups in terms of cultural systems that are interrelated linguistically rather than geographically or racially.


    3) Monteiro’s central argument is that “as trocas simbólicas entre Brasil e Portugal são invariavelmente mediadas pelo histórico das relações políticas, econômicas, culturais e, acima de tudo, afetivas, que configuraram os modos através dos quais ambos os países construíram suas narrativas identitárias.” He argues that cultural preferences are inscribed in a “contexto de uma construção de sentido e de valor” that is “socialmente codificada, a partir dos fluxos de capital simbólico traduzidos em determinados discursos e práticas.”

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  6. ( ... and PART 2)

    4) As pointed out by Brookshaw, the postcolonial contexts of Brazil and Angola have many similarities: obvious historical cultural links; contemporary cultural hybridity as initiated by Portugal; and similarities between processes of dictatorship and democracy (structurally as well as timewise). Brookshaw furthermore indicates that the emergence of new (nationalistic/revolutionary) African literatures in Portuguese in turn “encouraged many black Brazilian activists and aspiring writers to look to countries like Angola as models of a type of free, black African sovereignty, much as an earlier generation of Afro-Brazilian writers had looked to the example of Negritude in the early 1960s.”
    Brookshaw however contradicts that the Angolan intelligentsia was somehow a natural ally of the black Brazilian movement. Other differences are that Brazil has a democratic political tradition but no racial democracy, whereas Angola has only been democratic since 2000 but does not have a racial problem (“Brazil has the democratic hope, while Angola has none of the Brazilian racial complexes”). Dzidzienyo indicates that “there exists a strange disjuncture between Brazil’s honoring of African cultural traditions and their representation as an asset in relations with Africa, on the one hand, and the lack of a visible inclusion of Brazilians of African descent, on the other.” She rightly asks, “is there an implicit suggestion that there is a colonial tinge about Brazil’s African relations?” I am inclined to anwer off course. In much the same sense, Brazil (and to a lesser, more recent extent Angola) are also economically dominating Portugal.


    5) The ‘culturalist discourse’ (Dzidzienyo) in turn of Luso-tropicalism does not leave place for Africans, that are historically accepted but contemporary-wise excluded. As is evident from the novels analyzed by Brookshaw, “African Brazilians have no power or agency over themselves because they are somehow trapped in roles devised for them by whites.” In much the same sense, Dzidzienyo points to mimicry of colonial power in postcolonial states, be it the Brazilian or Angolan elite. The imitation of power relations may be similar in Africa and Brazil, but its racial issues however are fundamentally different. Brookshaw in this sense states that “it is perhaps natural that Agualusa […] should ultimately see the old Luso-Tropical-tradition of superficially harmonious race relationsthrough miscigenation as a postive legacy.” Dzidzienyo adds that “Brazil appeared contradictory and no different from Euro-American countries.” Thus, discussing the relation between race and lusofonia, we have to keep in mind that Africa has been constituitive in building Brazil and Portugal, but has perhaps never been explicitly recongnized as such. If we hence want to fortify lusofonia, we have to 1) let go the old triangular views that were present in the colonial and independent mirror towards Africans (Dzidzienyo), and 2) promote cultural (and not racial) hybridity.

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  7. Depois do comentário tão fundamentado do Ricardo acerca do artigo de Brookshaw, tudo o que se diga será pouco ou já demais, mas considero que Brookshaw faz uma interessante análise da noção das relações raciais no Brasil em duas obras literárias – “O Ano em que Zumbi Tomou o Rio”, de Agualusa e “O Primeiro Dia do Ano da Peste”, de Maciel. Interessante, na minha perspectiva, porque nos confronta com a representação simbólica de negritude no Brasil na literatura de ficção, muito marcada pelo anti-colonialismo que Boaventura Santos aponta como processo de pós-colonialismo, no final do seu artigo (“Between Prospero and Caliban…)”.
    A afirmação da emancipação identitária da personagem negra AC (da obra de Maciel), por exemplo, dá-se precisamente a partir da rejeição de características que lhe seriam atribuídas pela cultura dominante ocidental, hegemónica – o gosto pelo futebol, pela macumba, pelo samba, pelo candomblé.
    Ora, este processo de afirmação e rejeição de “máscara étnica” (Brookshaw, 169) é exemplo, em ficção literária, desse processo de pós-colonialismo, em que o luso-tropicalismo é um dos elementos a afastar.

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  8. Depois de várias leituras e de um amalgama de idéias losófonas, entende-se que muito se tem discutido sobre as trajetórias históricas do universo musical brasileiro e português com a finalidade de estabelecer parâmetros comparativos que pudessem de alguma forma explicar o modo como as músicas , brasileiras ou portuguesas, são entendidas e assimiladas nas diversas possibilidades de apresentação, seja numa análise de desempenho “intra-muros”, seja numa análise comparativa de situações nacionais.
    Essa discussão, se quer ter seus resultados mais plenamente esclarecidos, precisa passar por dois crivos históricos essenciais a meu ver: o crivo político-desenvolvimentista e o crivo tecnológico , com ênfase, no caso desse último, no desenvolvimento das tecnologias ligadas às telecomunicações. De pouco ou nada serve afirmar que a música portuguesa sofre de esteótipos diversos em seu processo de assimilação na cultura brasileira e vive-versa se não se analisa esse fenômeno primeiro à luz do crivo político-desenvolvimentista e segundo, pelo crivo do desenvolvimento da tecnologia.

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  9. Brasil e Portugal sofreram processos históricos político-desenvolvimentistas bastante diferentes em uma fase em que a tecnologia de divulgaçao comercial entrava em periodo de expansão contínua. Desde a implantação da república no Brasil em 1889 que os governos republicanos se sucediam em períodos quiquenais permitindo a entrada e saída de influências de diversos tipos provenientes do mundo exterior. No período que vai de 1964 até 1985, vinte e um anos portanto, esse crescimento da linguagem cultural sofre um ponto de inflexão descendente, quando as criações musicais tupiniquins sofrem na carne o processo avassalador da censura. Nesse período o crescimento da tecnologia da divulgação de informações sofria de um desenvolvimento intenso nos diversos polos de pesquisa mundiais mas não tinham sua divulgação adequada nos meios de comunicação brasileiros.
    Análise similar pode ser feita e desenvolvida na economia portuguesa que sofreu de 1924 até 1974, cinquenta anos portanto, os preceitos da ditadura salazarista que em quase nada contribuíramara a derrubada dos muros culturais que se abriram entre os dois países com o correr do tempo.
    Ao refletir sobre o texto de Monteiro percebemos que há muito mais parametros conceituais envolvidos do que o texto remete. No texto de Brookshaw que analisa as obras de Andaluza percebemos que ele remete os personagens pela optica exclusiva do analista, no caso, o autor do texto.
    Interessante os conceitos apresentado por Dziazienyo que destaca a importancia do fator racial no desenvolvimento da politica externa de um pais, e quanto esse aspecto da importancia do fator racial tem sido negligenciado na contrução dos preceitos de politica externa. Dzidzienyo ressalta com propriedade a diferença entre o discurso e a prática na tentativa de aproximação entre Brasil e Africa. Enquanto no discurso oficial sobravam menções destacando a importância dos diversos mercados africanos para a consecução da política externa brasileira, na prática não existiam exemplos de representantes afrodescendentes nas diversas delegações brasileiras que tocaram adiante o processo de negociação entre os dois paises. O texto cita o inicio de mudança com o governo Fernando Henrique Cardoso, e, vale ressaltar, que com o governo Lula estas atitudes foram reforçadas. Hoje no Brasil já foi instalada uma politica de cotas para negros nas universidades federais e cargos representativos tem sido ocupados por afrodescententes, como foi o caso do ministro da cultura Gilberto Gil.
    Outro aspecto relevante que parece passar desapercebido pelos textos da semana são a grande diferença existente entre o processo de independencia Brasileira e africana. O Brasil recebeu a familia real em 1808 que de certa o diferenciou enormemente dos outros paises colonizados por Portugal e teve sua independencia proclamada em 1822 e a república em 1889. Já a independencia de Angola se deu em situações e em períodos muito distintos.
    Finalizando citamos ainda Dziazienyo “(...) Olhar através do espelho do império é um bom ponto de partida, especialmente através do espelho triangular que apresenta um desafio e oferece novas descobertas”.

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