quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Leituras para 21 de Janeiro (Brasil)

AMARAL & DA SILVA, "Foi conta para todo canto: musica a religião afro-brasileira"
MONTEIRO, Construção do Gosto, capítulo

5 comentários:

  1. Monteiro, Maurício “Articulações e Limites” in A Construção do Gosto- Música e Sociedade na Corte do Rio de Janeiro 1808-1821. São Paulo

    Amaral, Rita e Vagner Gonçalves da Silva “Foi Conta para todo o Canto: as Religiões Afro-Brasileiras nas Letras do Repertório Musical Popular Brasileiro”

    As leituras desta semana são em torno do património cultural brasileiro indígena em duas situações específicas: no primeiro artigo, na sua presença e transformação face à colonização portuguesa, não só na época anterior à chegada da corte de Portugal como após este acontecimento.. No segundo, na relação entre a religião afro-brasileira e os seus símbolos patentes na música popular nacional.
    Ambos os artigos versam sobre questões muito interessantes. Porém, à contribuição de Monteiro falta rigor na linguagem, o que por vezes torna confuso aquilo que pretende, de facto, dizer (p.181, terceiro parágrafo;p.182, segundo parágrafo) . Por outro lado, os seus comentários aos comentários feitos por outros investigadores poderiam dispensar a utilização de termos como “eurocêntrico”(p.183 ) e “preconceituoso”(p.185), uma vez que - sobretudo no caso do conceito de “eurocentrismo”- são ferramentas analíticas que, à data, não faziam qualquer sentido. Mas a realidade histórica descrita é extremamente rica - a permanente negociação entre os valores duma cultura autóctone pré-existente, e a sua articulação com a cultura do país colonizador que ainda se acentua mais com a chegada da corte.
    O segundo artigo faz uma retrospectva da presença dos elementos símbólicos da religião afro-brasileira na música popular de acordo com dois níveis- o melódico e o discursivo-, desde os finais do séc. XIX aos dias de hoje. Dando exemplos de letras cantadas por cantores contemporâneos, desde Gilberto Gil a Caetano Veloso, esta contribuição dos antropólogos Rita Amaral e Vagner Silva permite-nos acompanhar a forma como a música popular foi incorporando os elementos da religiosidade afro-brasileira, adaptando-os a uma estética musical mais alargada onde se podem fazer sentir as influênicas do rock e do pop, num cruzamento de universos aparentemente tão distintos.

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  2. Sou suspeito para comentar o texto da Rita Amaral e Vagner Gonçalves uma vez que o seleccionei. Para quem conhece e aprecia a música brasileira penso que o texto fez um passeio interior bem conseguido no repertório da música popular e demonstrou, sem margens para dúvida, o peso das religiões afro-brasileiras na musicalidade brasileira. Peso que não se sente apenas nas letras mas na escolha dos ritmos e instrumentos das composições. Essa inserção no repertório foi de facto de boa qualidade e incidiu num período temporal muito vasto e em partes precisas das músicas que os brasileiros de várias gerações cantarolam no seu quotidiano. Confesso ter feito uma viagem musical memorável, nostálgica e lembrei de canções que há muito não ouvia. Penso que o mérito desse artigo deve-se sobretudo a capacidade de catalogar, nas várias gerações da música brasileira, o conjunto de músicas e movimentos que ressaltaram a influência das religiões afro-brasileiras. Se por um lado o artigo teve esta potencialidade, deixou a desejar no debate teórico quase inexistente e na contextualização da importância das religiões afro-brasileiras no cenário sócio-cultural brasileiro. Para quem conheço a história do candomblé e da Umbanda, caso dos dois autores relacionados com a antropologia das religiões, teria sido um exercício interessante traçar um paralelo temporal entre os períodos de maior incidência da musicalidade afro-brasileira e a construção das formas religiosas afro-brasileiras.
    Ressaltaria no segundo texto a riqueza informativa sobre o contexto musical no período colonial no Brasil. Chama atenção algumas passagens em que se discute como ocorreu o diálogo musical entre os povos da metrópole e da colónia. Estas formas de hibridez poderiam ter sido mais exploradas no texto de maneira a enriquecer o debate teórico. O texto entretanto serve-nos para mostrar, o que outros textos não o conseguiram, como a musicalidade portuguesa e brasileira é tão íntima não sendo possível atribuir uma origem a certas formas musicais.

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  3. Historicamente falando, a alma cultural de Brasil é africana. Isto é o argumento principal no artigo de Amaral & da Silva. Abordando as “múltiplas relações entre os valores e símbolos religiosos afro-brasileiros e a música popular nacional”, os autores mostram como a religiosidade africana tem dialogado de maneira crescente com a cultura nacional brasileira, sendo um principal veículo e importante aglutinador por meio dos quais o Brasil hoje em dia organiza suas diversas experiências culturais. Amaral & da Silva demonstram com vigor como este processo de secularização resistiu situações de repressão e clandestinidade até meados do século XX, influenciando a criação de “estilos musicais populares como o lundu, maxixe, coco, lelê, tambor-de-crioula, ‘sotaques’ de bumba-meu-boi, jongo, maculelê, maracatu, afoxé e o samba, entre muitos outros.” Os autores mostram como as circularidades culturais entre a Bahia (local de origem) e o Rio de Janeiro (centro propulsor por seu caráter cosmopolita) se intensificaram ao longo das décadas. Ilustram igualmente como, nos espaços profanos, o espírito africana abriu o caminho para grupos desfavorecidos: durante o Estado Novo, expressões da cultura afro-brasileira foram aprovados como elementos constituintes da cultura brasileira nacional. A partir dos anos 1960, a influencia africana na música popular brasileira foi se diversificando em scenas como black music, Bossa Nova, Tropicalismo, a “música de protesto”, e.o. Os exemplos salientado autors mostram claramente a presença perpétua de elementos das religiões afrobrasileiras na música “uma forma de ‘pedagogia’. Os ‘africanismos’ até na música de artistas famosos como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Gal Costa são evidências fortes do que a alma cultural de Brasil é africana.

    O artigo de Monteiro explora o Brasil, e mais especificamente o Rio de Janeiro, na época de D. João, que representou tanto um laboratório discursivo como uma nova sociedade em status nascendi. O autor menciona diferentes contextos e níveis de mistura cultural e social, apontando o proceso com o qual a cultura importada europeia, visualizada pela presenca do corte português no Rio, foi se transformando e absorvindo na cultura brasileira da época. As prácticas cortesãs foram em vez desempenhadas pela população local, enquanto o séquito aristocratico também pôde observer as practicas sociais e culturais nas ruas do Rio. Se por um lado ‘os europeus’ disposeram de relações de poder, por outro ‘os brasileiros’ já se articulavam de maneira bastante ideosincrática. Isto implicou processos que mudaram o gosto local. Neste sentido, o artigo nos permite visualizar -de maneira muito perceptível- quais são as origens da cultura brasileira e de que modo e que ela se interrelacionou historicamente com Portugal (lusofonia) e Europa. Músicas funcionavam em vários espaços locais de negociação e cruzamento “entre a tolerânçia e a articulação,” invertindo as restricções da sociedade escravista. Por outro lado, estilos ‘europeus’ (allemande, gavotte) também começaram se modificando geneticamente, como foi observado pelas viagantes estrangeiros que conheçeram as originais desta música na ‘Europa’ e -por vezes- ridiculizaram a mistura. Julgo ser interessantíssima a observação que, dum modo indirecto, outros países europeus então também acabaram influenciando a cultura brasileira, por vezes através de Portugal, assim ilustrando o lado europeu da lusofonia.

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  4. Es interestante leer el artículo de Amaral y Silva y ver surgir de inmediato en mi interior una reacción en contra de algunos aspectos del texto y su manera de aproximación al uso de simbologías, palabras y elementos propios de las religiones Afro-Brasileras. Mi posición de ataque, por decirlo de algua manera, viene de una visión tal vez viciada por mi disciplina de leer lo que se describe como "uso", en vez, como "abuso" y "apropiación". De igual forma, leer casillas tan categóricas e inmutables como "blanco", "negro" y "mulato" a lo largo de la descripción cronológica del texto acelera mis reacciones y cuestionamientos. A pesar de ello, de mis negatividades, el texto contribuye resaltando el uso de dichos elementos y su relación con ciertos grupos sociales en Brasil, y explica su uso en términos positivos como puente y línea de intersección de los diferentes sectores y grupos sociales en dicho país.

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  5. O textos desta semana trataram exclusivamente da lusofonia brasileira, o que muito me agradou.
    O artigo de Amaral de Da Silva tem o seu tema central focado na influência da religiosidade africana e o diálogo com a musicalidade brasileira. A profunda ligação entre a cultura negra e o que resultou da Música Popular Brasiliera. As influências não foram especificas de um período histórico mas, faz de toda história do Brasil.

    Já o texto de Monteiro tem seu foco no Rio de Janeiro e em uma época especifica: A permanência da corte portuguesa para o Brasil (1808 - 1821. No meu entender o principal aspecto deste texto é o amalgama de costumes e práticas da cultura trazida pela corte portuguesa em contrapartida com as práticas culturais locais que conviveram no Brasil de D. João VI. Negros e índios compartilharam, de uma forma ou de outra, da cultura européia, imitando-a e transformando-a. Não só a colônia adquiria novos hábitos, os portugueses também tiveram que articular seus costumes e hábitos com as práticas que aqui já haviam sido estabelecidas.

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